Demi Lovato dá entrevista exclusiva para a Glamour Magazine

Ontem, terça-feira (04), a revista Glamour postou uma nova entrevista com Demi Lovato, a qual você pode ler alguns trechos publicados pela ET News bem aqui. Confira também o photoshoot e o vídeo da entrevista totalmente legendado pela nossa equipe. Abaixo leia a entrevista completa em português:

Eu primeiro vi Demi Lovato performando na Praia Jones em Nova York em Agosto de 2010 – e com 22 anos, eu era uma das pessoas mais velhas da arena. Lovato, na época uma estrela da Disney, estava na sua turnê do Camp Rock 2 com os Jonas Brothers. Eu me juntei ao mar de pré-adolescentes que gritavam e cantei junto. Muito mudou desde então: Lovato deixou aquela turnê antes para procurar tratamento pelo abuso de cocaína, bulimia, automutilação e disordem bipolar. Ela recebeu tratamento intensivo em 2011 e em 2012 entrou em uma casa de sobriedade por mais de um ano. Cortando os laços com a Disney, ela entrou em uma volta musical enorme, fazendo com que seus tempos ruins se transformassem em hits esmagadores como “Skyscraper”; ela também foi juiza no The X Factor USA, e sempre falando abertamente sobre saúde mental e  o abusos de drogas ao qual ela sobreviveu.

Agora é Agosto de novo. E Lovato, com 24 anos, está sendo coheadliner em uma turnê de 44 cidades, desta vez, com apenas um Jonas Brother, Nick. A cantora e compositora passou para um outro nível de fama: Seu quinto álbum, Confident, debutou em segundo lugar; seu novo single “Body Say” é seu décimo oitavo à ir para a Billboard Hot 100. E enquanto seus Lovato fãs – os Lovatics – cresceram com ela, ela tem milhares de mulheres maduras que também são fãs atualmente. Esse ano ela performou para o especial de roupa de praia da Victoria’s Secret e nos Grammys e na casa branca. Agora Lovato está focada em afiar seu som (mais sexy, se “Body Say” for uma pista): Em um movimento, ela está escrevendo e gravando músicas para sua própria gravadora, Safehouse Records – uma aventura com Jonas; seu empresário, Phil McIntyre; e Island Records.

Tudo isso constitui a carreira dela. Mas Lovato disse que considera falar abertamente para todos sobre vícios e doenças mentais seu verdadeiro propósito. Ela tem participado e ajudado o Congresso para saúde mental em sua reforma, começou um programa para pagar o tratamento de pessoas que não tem como pagar, e continua à compartilhar sua história, mais recentemente em um discurso poderoso na Convenção Democrática Nacional. Ela também é agora uma das donas do CAST Centers, a casa de saúde mental e ajuda em que ela mesma procurou tratamento, e recentemente fez com eles uma parceria para aconselhar seus fãs em algumas sessões após cada show, chegando à 12,000 pessoas no total; eles vão debutar uma conferência em série em Los Angeles, em Novembro.Em Junho Demi lovato se separou do parceiro que a viu passar por tudo durante esses seis anos, o ator Wilmer Valderrama. Ela está solteira agora. Ela está se mudando para sua própria casa. Uma nova Demi. “Aquela pessoa que eu era quando mais nova não é quem eu sou hoje,” ela diz. Então quem é a Lovato crescida? Eu sentei com ela para descobrir – mas primeiro queria perguntar sobre as novas batidas em sua música.
GLAMOUR: Você está abraçando um som mais sexy. Porquê você quer explorar sua sexualidade na sua música?
DEMI LOVATO: Eu tive uma conversa com Nick, que disse, “Você nunca escreve sobre sexo.” E eu disse, “Do que você está falando? Eu escrevi ‘Cool for the Summer’.” E ele rebateu: “Não, mas você nunca abraçou realmente esse lado da escrita.” E eu realmente não havia feito isso. Eu tinha vergonha disso; Eu tenho parentes que vão ouvir minha música! Mas eu percebi que eu estou esquecendo um elemento essencial da vida adulta. Eu escrevi “Body Say” algumas semanas depois – foi libertador. Eu quero escrever mais sobre isso.GLAMOUR: O que têm influenciado sua atitude sobre sua sexualidade?DL: Relações, e estar ligada com meu corpo, sabendo o que quero – é sobre isso que “Body Say” conta.GLAMOUR: Se você conseguiu trabalhar em tudo isso com 24, estou impressionada. Com 28, eu ainda tento trabalhar nisso. [Risos]

DL: Bem, tente explorar – é isso que você tem que fazer para se achar sexualmente. Você sempre pensa que descobriu algo, mas depois você fica mais velha e percebe que não. Por enquanto eu estou de bem comigo mesma.

GLAMOUR: Eu ouvi falar que você ficou envergonhada de cantar “Cool for the Summer” no jantar Nórdico do estado na Casa Branca.

DL: Sim, eu tirei da lista de músicas pois eu estava meio como, “Claramente é inapropriado para a Casa Branca,’ mas então [a primeira dama] pediu para cantar. E eu fiquei meio, “OK, lá vamos nós!” [Risos.] Tipo, “Me diga o que quer, o que gosta, tudo bem.” (pequeno trecho da música)

GLAMOUR: [Risos.] Como foi cantar aquela letra com o presidente sentado à cinco pés de você comendo salada?

DL: IEu não olhei nos olhos dele. E não olhei nos dela também. Quando eu normalmente digo, “Shh, não conte para sua mãe,” eu mudei para “Shh, não conte para o Presidente.”  [Risos.]

GLAMOUR: Muitos fãs tem te apoiado enquanto você evoluiu, mas quando você posou nua para sua arte “Body Say”, alguns seguidores comentaram, “Coloque seu sutiã de volta.” O que você responde à eles?

DL: Você não diz nada, pois você nunca ganhará. Ou eles estão dizendo que você é feia, que você é uma vadia, que você não é um bom exemplo, ou algo do tipo, você nunca vai ganhar.

GLAMOUR: Eu odeio quando as pessoas dizem a frase  exemplo ruim quando se trata de uma mulher abraçando sua sexualidade.

DL: Eu julguei alguns artistas que estavam explorando sua sexualidade, e eu pensava, Por quê estão fazendo isso? Eles não precisam. Eles têm uma boa voz.

GLAMOUR: Tipo quem?

DL: Christina Aguilera, durante Dirrty [em 2002]. Eu pensei, a mãe dela vai ouvir isso—como ela pode não ter vergonha? Mas agora eu percebo que esses artistas estavam mostrando uma parte da vida que deveria ser normal para cantar também. Não há nada de errado com uma mulher estar orgulhosa de um elemento da sua vida que é falado na música rap toda hora! Não temos músicas que falam sobre sexualidade de um ponto de vista feminino [no rap]. Você sabe aquela música “Beat The Pussy Up”? Se uma garota cantasse isso…

GLAMOUR: “Beat the Dick Up”?

DL: Primeiramente, eu adoraria. Mas eu acho que seria algo muito grande. Vivemos em uma sociedade desequilibrada em que é certo encorajar a sexualidade masculina e desencorajar a sexualidade feminina. Em 20 anos eu espero que olhemos para trás como, Wow, então era assim que era.GLAMOUR: Você está colocando sua nova música junto com sua nova gravadora Safehouse Records. Por quê você, Nick, e Phil começaram uma gravadora?DL: Queríamos ajudar à desenvolver novos artistas em que acreditamos. Nós também queremos nossos direitos da música – se a gravadora está fazendo tanto dinheiro com nossa música, porquê nós não poderíamos?GLAMOUR: E porquê juntos?DL: Eu sempre pergunto ao Nick e ao Phil o que eles acham. De músicas novas, qualquer coisa. Outro dia eu perguntei ao Nick o que eu deveria fazer em um encontro. Ele disse algo como, “Você deveria ir ao boliche”. Ehh. Mas todos nós ajudamos uns aos outros de qualquer jeito, então ser parceiros em uma gravadora fez sentido.

GLAMOUR: Você e Nick se conheceram através da Disney anos atrás, e ainda são amigos. O que conecta vocês depois de tantos anos?

DL: Existe um elemento de confiança que você não acha nas pessoas hoje em dia. Ele é como família. Eu sou a pessoa que diz para ele coisas que ele não quer ouvir, como quando eu disse para ele ser mais vulnerável em sua música. E eu estava como, ‘Deixe as pessoas verem como você é engraçado.’ Eu quero que o mundo possa gargalhar do mesmo jeito quando eu estou perto dele.

GLAMOUR: Como seu trabalho na Disney ainda se manifesta em vocês dois?

DL: No estresse pós traumático. [Risos.] Costumávamos trabalhar tanto e tão duro por tão pouco que nossas agendas ficaram muito ocupads, e eu imediatamente fiquei pensando no passado. Isso me deixa ansiosa, e quase definitivamente me deixa com estresse pós-traumático…. Você trabalha tanto, e não recebe nada em troca, quer dizer, eu não recebia. Mas eu estava em uma plataforma que me deu suporte para o resto da carreira- eu não podia reclamar. Então agora, toda vez que nossas agendas ficam muito ocupadas, eu começo à ficar mal pois as coisas que eu fazia não eram saudáveis. Mas quando eu tenho um dia longo, eu penso, se eu voltasse à tudo que eu fazia, eu conseguiria aguentar tudo. Mas agora nós trabalhamos com nosso empresário, e temos agendas boas e bem administradas.

GLAMOUR: Você e Nick estão ambos solteiros, e estiveram em Turnê juntos. Vocês são um o suporte do outro?
DL: Definitivamente somos um o suporte do outro. Teve uma noite em Nova York em que ele me apresentou para alguém. E Nick e eu nos  olhamos e fizemos “high-five”.  [Risos.]GLAMOUR: Você se denomina feminista…DL: eu acredito na igualdade de gêneros.GLAMOUR:E você disse antes, por causa de Taylor Swift, “Você não deve se denominar feminista se não luta por isso.” Como você vê a si mesma fazendo essa luta?
DL: Apenas desabafando. Não tenho medo de falar que as mulheres ganham menos que os homens nos Estados Unidos e como isso é injusto. Falar sobre isso é fazer a lição de casa. E eu acho que toda a mulher faz a sua parte de algum modo. Mas eu acho que em certas situações, certas pessoas poderiam estar fazendo mais se tivessem aquilo como parte da sua marca.  Pra ser honesta, isso provavelmente vai me colocar em problemas, mas eu não vejo ninguém em qualquer squad que tenha um corpo normal. É como uma falsa imagem de como as pessoas deveriam parecer. E como elas devem ser, mas isso não é real.GLAMOUR: Bem, existem vários tipos de corpos “normais”. Eu acho que o que você quer dizer é que só existe um tipo de corpo naquele squad.DL: Não é realístico. E eu acho que ter uma música e um vídeo sobre deixar Katy Perry para baixo, isso não é empoderamento feminino. Nós todos fazemos coisas que não são, mas eu tenho que me perguntar, Estou feliz em me chamar de feminista? Sim, pois eu falo abertamente para todos.GLAMOUR: Vamos falar sobre sua experiência sobre mentalidade, corpo e saúde. Você compartilha suas experiências para que possamos aprender delas.

DL: Certo—quando você é uma artista, você tem uma plataforma que pode atingir milhões. Eu sinto que é egoísta quando você não usa sua voz, pois então você apenas está pedindo por atenção—não usando para o bem. Eu não me sinto confortável quando as pessoas dizem, “Você é meu ídolo,” pois eu quero que elas idolatrem Deus. Eu quero que elas idolatrem alguém que já fez muito. Por isso eu acho que é importante que os artistas usem suas vozes para muito mais do que apenas talento.

GLAMOUR: Como você se sente diferente do que em 2010?
DL: Me sinto feliz, me sinto saudável. Lá eu sentia um vazio dentro de mim, que eu atingi por uma série de coisas – uma pessoa, uma substância, um comportamento- para sentir aquilo se encher. E agora não há mais um buraco. Ele está cheio pois eu tomo conta de mim mesma…. Ficar sóbria foi difícil. Eu fui para a reabilitação, saí, e não continuei sóbria. Eu ainda tenho problemas ocasionalmente. Agora alguns dias são difíceis; outros é fácil. Mas eu gosto de focar no que estou fazendo agora, que é retribuir. Eu fiz intervenções em pessoas nas quais sou bem próxima.GLAMOUR: Sério? Como assim?DL: Em uma situação uma mãe me chamou e disse, “Ei, tal pessoa está fazendo isso e aquilo. Nós estamos preocupados com a saúde dela. Eu preciso da sua ajuda.” Então Mike  [Bayer, fundador do CAST Centers, a quem ela credita ter salvado sua vida] e eu viajamos 11 horas para ver essa pessoa, e acabou virando uma intervenção com a sua família. Às vezes é dramático, mas saúde mental, como um buraco, tem que ser cuidado. Você não precisa estar feliz ou triste o tempo todo para cuidar de si mesma. Você não precisa ter um vício em drogas para cuidar da sua saúde mental. Se todos no mundo vissem um terapeuta, o mundo seria melhor.GLAMOUR: Algumas coisas tirando uma agenda cheia ainda te fazem se sentir fraca?

DL: Sim, claro. Ver cocaína em filmes. Eu nunca assisti Um Lobo de Wall Street. Eu não consigo. Eu não gosto de ir para baladas, pois me vejo sempre no banheiro olhando para as pessoas usando drogas. Eu fiz o Especial de Roupa de Banho para a Victoria’s Secret e estar rodeada com os corpos de super modelos foi difícil para mim. Eu lembro de perguntar “Como você mantém seu corpo?” Algumas disseram, “Eu batalhei muito para ter ele assim.” Outras disseram, “Genética.” Foi interessante ouvir que não foi através de hábitos não saudáveis. Foi uma experiência que me ensinou bastante. Eu ainda me sentia sexy, tendo um corpo diferente dessas mulheres. Eu tinha Wilmer lá, quem amava minhas curvas- isso ajudou.

GLAMOUR: Você e Wilmer terminaram sua relação em Junho. Como foi se separar de um homem que sabia sua história?

DL: Eu acho que é saudável poder começar novamente com alguém novo. Estar doente era sempre uma parte da minha relação com ele; sempre havia algo de errado comigo. Eu precisava deixar isso ir embora. Foi difícil ir embora de alguém que viu tudo, mas talvez seja melhor começar com uma nova pessoa. Pois aquela pessoa que eu era, era muito mais nova e não é quem eu sou hoje.

GLAMOUR: Você parece estar confortável no seu corpo agora. Você fez as fotos sem maquiagem e sem roupas nem retoques para a Vanity Fair; você ficou nua novamente para sua arte de “Body Say”. O que mudou em você?

DL: Focar em comida e exercícios mudou minha vida. Alguém disse para mim recentemente, “Você não colocaria diesel numa Bently.” Quando você trata seu corpo como uma Bentley, você se valoriza e começa à se olhar de um jeito diferente. Eu me exercito todo dia ou seis vezes na semana- é disso que preciso para manter isso estável. [Aponta para sua cabeça.]

GLAMOUR: Você disse que comentários da mídia social te afetam, mas continua postando fotos de seu corpo. Porquê?

DL: Pois eu não olho para eles mais. Se alguém me chama de gorda, mesmo em um momento vulnerável, eu rio para mim mesma e penso, estou fazendo tudo que eu posso, então não há nada que eu possa mudar sobre isso. Eu não tenho um pacote de emagrecimento. E talvez eu nem queira um. Parece muito apelativo.

GLAMOUR: O que você faz quando está se sentindo fraca?

DL: Eu falo, “Ei, pessoal, nada demais mas eu realmente quero forçar o vômito agora. Eu tinha que falar isso.” Pois quando você fala sobre isso, você tira a força daquilo de você.

GLAMOUR: Eu passei por um período, na faculdade, que eu forçava o vômito. Me sinto tão envergonhada.

DL: Não é algo para se envergonhar. Não diga isso.

GLAMOUR: Obrigada. Me abrir para um amigo me ajudou bastante à sair disso.

DL: Certo. Comer e vomitar é um problema grande que as pessoas não notam. Quando eu fui para a recuperação de anorexia e bulimia, eu comecei à fazer isso. Eu olhava para meu corpo e pensava, O que eu estou fazendo para mim mesma? Eu ainda passo por isso. Mas estou de volta aos trilhos agora, porém lidei com muitas mortes nesse ano que passou.

GLAMOUR: Você teve muitas perdas—sua bisavó e seu bisavô faleceram.

DL: Sim. Quatro familiares, dois cachorros e dois amigos. Eu tive que me forçar à pensar que eu consigo me manter sóbria e passar por isso. Para saber que eu conseguiria ser feliz não importa o que aconteça. Eu cresci muito durante o ano que passou, e eu sou grata por esta parte de amadurecimento.

Escritora: Elizabeth Stewart

Emily Mahaney is a senior editor at Glamour.

Traduzido por: Portal Lovato.

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